Horizonte indefinido

Da escolha fez-se o flagelo
Dos feitos vieram as dores
Do silêncio fez-se a mordaça
Nos ponteiros, desamores
A presença fez-se escassa
As palavras, sem pudores
Feitas todas de fumaça
Se ocultaram sob as cores
E o desejo desmedido
Desfez tudo em estilhaços
O abraço foi partido
Vencido pelo cansaço
O sorriso foi banido
Até o credo ficou gasto
E no horizonte indefinido


Não restou nenhum farelo

Ali vi ar

Quando sinto essa secura
Vem seus versos me molhar
Como chuva de ternura
Até o peito inundar

Eis que os olhos viram mar
Da água mais pura
Para a alma navegar

Incômodo

Quem é o dono
Do abandono?